#93 Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais

Título: Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais

Autor: Cora Coralina

Primeira publicação: 1965

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Global

“Becos da minha terra,
discriminados e humildes,
lembrando passadas eras…”

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#85 Risco No Disco

Título: Risco No Disco

Autor: Ledusha

Primeira publicação: 1981

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Luna Parque

“pele linguagem
vapores do desejo
estar entre o risco
do silêncio e ilhas.”

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#DesafioLivrosBR

Desafios literários são bem comuns na rede, principalmente ao nascer de um novo ano. Muitos envolvem gostos (e desgostos) pessoais, alguns seguem alguma “moda” editorial, assim como outros abarcam considerável dificuldade elencando uma enorme quantidade de títulos. Ainda há aqueles que privilegiam a qualidade em detrimento da quantidade de leituras, convocando diversas modalidades que instigam o real aproveitamento e debate das obras.

1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer a partir de agora proporá um projeto anual de incentivo à leitura da literatura tupiniquim, o #DesafioLivrosBR. Nosso plano consiste em listar 12 categorias de livros brasileiros a serem lidos durante os 12 meses do ano corrente, como uma versão mais concentrada e totalmente voltada para a produção nacional dos vários desafios presentes na blogosfera (que, por sua vez, se inspiram direta ou indiretamente no esquema do gringo Reading Bingo Challenge).

Para participar, basta ler livros nacionais que se encaixem nas indicações a seguir:

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  • Janeiro: Livro de Estreia

Começando com o primeiro livro lançado por um(a) escritor(a) brasileiro(a), podendo ser de qualquer gênero literário e qualquer época. É uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho inicial daqueles(as) autores(as) que vocês tanto admiram e respeitam ou até descobrir novos nomes de nossa literatura partindo do princípio.

  • Fevereiro: Livro de Poesia

Para o mês mais curto do ano, a coletânea de versos de um(a) escritor(a) brasileiro(a), abrangendo qualquer época. Aqui também vale ler escritores(as) que não necessariamente dedicaram sua pena ao gênero lírico.

  • Março: Livro de Autoria Feminina

A autoria feminina merece destaque nesse desafio, contribuindo para a retificação do silêncio e do menosprezo impostos a tantas escritoras no passado de nossa historiografia. O livro de uma autora brasileira pode ser de qualquer gênero literário e qualquer época, assinalando o poder e a importância das mulheres de nossas letras.

  • Abril: Livro de Contos

O Brasil é cheio de mestres no trabalho com os contos e nosso desafio não poderia deixar de contemplar esse gênero literário. O livro de um(a) contista nacional poderá ser de qualquer época.

  • Maio: Peça Teatral

Infelizmente, o gênero dramático ainda é muito pouco explorado dentro de nossa literatura. Considerando este fato, é claro que vamos ler o livro de algum(a) dramaturgo(a) brasileiro(a) ou de outros(as) escritores(as) nacionais que também se aventuraram pelo teatro, abrangendo qualquer época.

  • Junho: Biografia ou Livro de Memórias

Toda história de vida pode ser grandiosa, tornando-se literatura nas mãos de biógrafos(as) ou memorialistas. O livro sobre a trajetória de alguma notável personalidade nacional pode ser de qualquer época, mas deve necessariamente envolver o relato pessoal ou a pesquisa jornalística de algum(a) autor(a) brasileiro(a).

  • Julho: Calhamaço

Um grande livro tanto pode provocar como assustar os leitores, sejam iniciantes ou experientes. Nesta perspectiva, a leitura do mês das férias exigirá uma maior dedicação: algum livro publicado por um(a) escritor(a) nacional com 500 páginas ou mais, podendo ser de qualquer gênero literário e qualquer época.

  • Agosto: Livro de Autor(a) do Seu Estado

Vamos explorar ainda mais as letras locais prestigiando a produção de nossos(as) conterrâneos(as). Compartilhando os(as) escritores(as) dos nossos estados (abarcando qualquer época), exploraremos novos horizontes da literatura brasileira, evidenciando sua enorme abrangência e diversidade.

  • Setembro: Livro Adaptado Para o Cinema

Na convergência entre diferentes artes, um livro escrito por algum(a) autor(a) brasileiro(a) que foi transformado em roteiro de filme de longa ou curta-metragem, podendo ser de qualquer época e qualquer gênero literário, abrangendo uma parte ou a totalidade de seu conteúdo.

  • Outubro: Livro Infantil ou Juvenil

A literatura brasileira destinada a crianças e jovens não poderia ficar de fora, com o livro de algum(a) autor(a) nacional podendo ser de qualquer gênero e época.

  • Novembro: Livro de Crônicas

Esse gênero altamente ligado à profundidade e beleza de questões cotidianas também tem lugar cativo no nosso projeto, com a coletânea de algum(a) cronista brasileiro(a) podendo abarcar qualquer época.

  • Dezembro: Livro Lançado no Ano

Para fechar o desafio, um estímulo para que nos inteiremos das novidades literárias do mercado editorial brasileiro no desenrolar do ano. O livro de um(a) escritor(a) nacional pela primeira vez publicado em 2017 pode ser de qualquer gênero.

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A ordem das categorias poderá ser trocada em favor do ritmo, das possibilidades e das escolhas de cada leitor, que terá a licença inclusive de saborear mais obras por mês ou concentrar todas as leituras em um único período do ano. O que vale é, partindo dos critérios do desafio, lermos juntos 12 livros nacionais em 2017! Sim, o blog também integrará o desafio e vocês poderão ler todo mês um texto sobre o livro selecionado para cada modalidade.

Interessa ressaltar ainda que não precisamos definir todos os títulos logo de cara, muito menos obrigatoriamente comprá-los para participar do projeto, já que temos a opção de pegá-los emprestado de amigos e parentes ou de uma biblioteca, bem como baixá-los da internet e folheá-los em suportes digitais. Nossas leituras poderão ser acompanhadas pelos participantes nas redes sociais através da hashtag que dá nome à ação (#DesafioLivrosBR), com todos podendo discutir e conhecer um pouco mais da literatura brasileira.

Não se esqueçam de consultar o nosso acervo de postagens para dicas de autores e obras interessantes ao projeto! Qualquer dúvida será sanada nos comentários.

Vamos ler mais livros brasileiros neste ano?

Literafilia: Sobre as Paternidades de Machado de Assis

O fascínio pelo escritor Machado de Assis persiste de maneira impressionante, fato manifestado na intensa produção impressa que o têm como centro das atenções. Não contestando sua enorme habilidade artística e obliquidade de estilo, é certo que a posição historicamente construída de “maior figura” da literatura nacional muito contribuiu para esta conjuntura de febril estima e interesse. Ao mesmo tempo em que se alimentam teorias sobre aspectos particulares do passado do autor, surgem novos olhares sobre a influência de sua trajetória pessoal nas obras que publicou, aquecendo o meio acadêmico e a própria criação ficcional brasileira. Todavia, junto a descobertas importantes para a crítica, também são estimuladas diversas hipóteses de foro íntimo, como a que abrange a ocultação de um suposto filho fora do casamento. Tal pressuposto chegou a ser apontado como forma de desrespeito à sua memória por admiradores mais rígidos, ressaltando certa “sacralização” atribuída ao nome deste ilustre homem de nossas letras.

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#79 Mar Absoluto e Outros Poemas

Título: Mar Absoluto e Outros Poemas

Autor: Cecília Meireles

Primeira publicação: 1945

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Global

“Foi desde sempre o mar.
E multidões passadas me empurravam
como o barco esquecido.”

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Extrato Poético: Zila Mamede

Soneto Geométrico

Ventre da noite, incesto, cavernoso,
gerando ideia longitudinal.
O frio vento insólito e anguloso
vertendo em gesto azul a flor do mal

que vinda foi de rio caudaloso
e após ter sido areia e também sal
fundiu-se logo em ângulo brilhoso
descrito num momento horizontal,

por causa de um desejo da neblina
que, pura, quis traçá-lo na retina,
em formas, já, de justificação.

Tranquila, a flor do mal purificada
despiu-se, pois, de forma avermelhada
por branco horizontal de redenção.

Zila Mamede in ‘Rosa de Pedra’ (Editora Queima-Bucha)

#75 Cobra Norato

Título: Cobra Norato

Autor: Raul Bopp

Primeira publicação: 1931

Modalidade: Ficção/Poesia

Minha Edição: Editora José Olympio

“Um dia
eu hei de morar nas terras do Sem-fim”
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#74 A Teus Pés

Título: A Teus Pés

Autor: Ana Cristina Cesar

Primeira publicação: 1982

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Companhia das Letras (Selo Poesia de Bolso)

“Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.”

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Extrato Poético: Roberto Piva

A Piedade 

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento abatido na extrema
paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria aos
sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me
fariam perguntas: por que navio boia? Por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as estátuas de
fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos pederastas ou
barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam que tenho
todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos pavimentos
Os adolescentes nas escolas bufam como cadelas asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através dos meus sonhos

Roberto Piva in ‘Um Estrangeiro na Legião’ (Editora Globo)

Extrato Poético: Ledusha

Errata

onde lia-se desejo
leia-se despejo

não quero mais
essa vertigem de vogais
– tantos ais –
como se fossem consoantes

Ledusha in ‘Finesse e Fissura’ (Editora Brasiliense)

Extrato Poético: Carlos Drummond de Andrade

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade in ‘Sentimento do Mundo’ (Editora Record)

Literafilia: Sobre Poesia Marginal

No Brasil dos anos 1970, o regime militar ao mesmo tempo em que tentava proibir qualquer tipo de produção e comportamento que pudesse causar dano à sua estrutura, acabava por incentivar o surgimento de impactantes movimentos culturais atrelados à emergente juventude nacional.  Em meio a um ambiente de repressão, violência e vazio criativo, a nova geração sofreu uma metamorfose comportamental, ganhou voz e grande expressão, originando importantes rupturas em relação às concepções estéticas até então vigentes. O surto criativo que subverteu os padrões oficiais da literatura lançada na época adveio justamente do inconformismo com os moldes impostos pelas esferas acadêmica e política. A formação de uma poética “fora do sistema”, à margem da tradição, possibilitou a liberdade das amarras do conservadorismo intelectual através da escrita. Os versos sujos e irreverentes de notáveis desconhecidos ganhariam, mais tarde, respeitável destaque na historiografia de nossas letras, influenciando e inspirando, inclusive, muito do que é feito na contemporaneidade.

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#64 Poemas Concebidos Sem Pecado

Título: Poemas Concebidos Sem Pecado

Autor: Manoel de Barros

Primeira publicação: 1937

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Leya

“Foi o vento quem embrulhou minhas palavras
meteu no umbigo e levou pra namorada?”

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Extrato Poético: Sérgio de Castro Pinto

Poeta x Poema

nem sempre o poeta
ronda o poema
como uma fera à presa.

às vezes, fera presa e acuada
entre as grades do poema-jaula,

doma-o o chicote das palavras.

Sérgio de Castro Pinto in ‘Zoo Imaginário’ (Editora Escrituras)

#55 A Cinza das Horas

Título: A Cinza das Horas

Autor: Manuel Bandeira

Primeira publicação: 1917

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Global

“Ardeu em gritos dementes
Na sua paixão sombria…
E dessas horas ardentes
Ficou esta cinza fria.”

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