Literafilia: Sobre as Paternidades de Machado de Assis

O fascínio pelo escritor Machado de Assis persiste de maneira impressionante, fato manifestado na intensa produção impressa que o têm como centro das atenções. Não contestando sua enorme habilidade artística e obliquidade de estilo, é certo que a posição historicamente construída de “maior figura” da literatura nacional muito contribuiu para esta conjuntura de febril estima e interesse. Ao mesmo tempo em que se alimentam teorias sobre aspectos particulares do passado do autor, surgem novos olhares sobre a influência de sua trajetória pessoal nas obras que publicou, aquecendo o meio acadêmico e a própria criação ficcional brasileira. Todavia, junto a descobertas importantes para a crítica, também são estimuladas diversas hipóteses de foro íntimo, como a que abrange a ocultação de um suposto filho fora do casamento. Tal pressuposto chegou a ser apontado como forma de desrespeito à sua memória por admiradores mais rígidos, ressaltando certa “sacralização” atribuída ao nome deste ilustre homem de nossas letras.

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Literafilia: Sobre Poesia Marginal

No Brasil dos anos 1970, o regime militar ao mesmo tempo em que tentava proibir qualquer tipo de produção e comportamento que pudesse causar dano à sua estrutura, acabava por incentivar o surgimento de impactantes movimentos culturais atrelados à emergente juventude nacional.  Em meio a um ambiente de repressão, violência e vazio criativo, a nova geração sofreu uma metamorfose comportamental, ganhou voz e grande expressão, originando importantes rupturas em relação às concepções estéticas até então vigentes. O surto criativo que subverteu os padrões oficiais da literatura lançada na época adveio justamente do inconformismo com os moldes impostos pelas esferas acadêmica e política. A formação de uma poética “fora do sistema”, à margem da tradição, possibilitou a liberdade das amarras do conservadorismo intelectual através da escrita. Os versos sujos e irreverentes de notáveis desconhecidos ganhariam, mais tarde, respeitável destaque na historiografia de nossas letras, influenciando e inspirando, inclusive, muito do que é feito na contemporaneidade.

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Literafilia: Sobre Crônicas

A maioria dos escritores brasileiros começou sua trajetória no universo das letras por meio das publicações periódicas. Os jornais e as revistas foram por muito tempo os principais meios de difusão da literatura em nosso país, constituindo, na verdade, uma parte importante desta, fonte viva e essencial para o traçar de sua história. Antes da facilidade de divulgação advinda da internet, eram estes suportes impressos que proporcionavam a notoriedade imprescindível a qualquer autor que quisesse viver da arte. O mercado livreiro nacional também nunca foi fácil aos iniciantes, que acabavam voltando suas penas para aquelas páginas vendidas diariamente.

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Literafilia: Sobre Bibliotecas

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A Biblioteca para muitos sempre representou um lugar chato, cheio de regras, silêncio e tédio, sendo comparada a uma prisão, com estantes no lugar das grades, até mesmo por aqueles que amam os livros. Ademais, este ambiente, às vezes tão esquecido, tem sim sua importância, atrelada a algumas vantagens e tesouros escondidos.

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Literafilia: Sobre Falsas Autorias e Erros de Citação

A internet opera um papel importante e ambíguo em relação ao legado dos grandes nomes da Literatura. A leitura nunca foi tão facilitada e disseminada.  Diversos escritores passaram a dividir espaço na vida corrida dos brasileiros e isto se deve, ao menos em parte, à sua propagação na rede. Ademais, tal compartilhamento às vezes vem atrelado a informações erradas, afetando diretamente o nosso patrimônio cultural e causando constrangimento.

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Literafilia: Sobre Leitura e Tempo

O tempo sempre foi um inimigo para os leitores compulsivos, cujo desejo de ler mais rápido é permanente. A noção de rapidez na leitura pode ser logo ligada à superficialidade em interpretações, à mera decodificação das palavras. Mas quem disse que uma apreensão mais rápida do texto, e mesmo assim eficaz, não é realizável? Esse tipo de leitura vem significando muito para os que, como eu, ambicionam ler o maior número de livros possível até o fim da vida. Afinal, são tantos títulos bons, um número infinito, que o desejo de ler tudo torna-se impossível. Tentar apreciar ao menos uma boa parte é o que resta. Os livros vão então fazendo fila e os obstáculos atrasadores vão aparecendo. O que fazer?

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Literafilia: Sobre Dedicatórias

Minha relação com estes pequenos (ou grandes) textos, escritos geralmente na folha de rosto dos livros, sempre se deu de forma difícil. Desde que li meu primeiro livro, tive comigo que um livro não era feito para se escrever nada além do que já vinha escrito nele. Qualquer reflexão ou comentário deveria ser escrito em outro lugar. Entendia o valor afetivo das dedicatórias, mas não as queria nos livros. Por que não as escrever em papéis separados (como em cartões comemorativos) e depois as entregar dentro dos livros? Por que não simplesmente as proferir oralmente?

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