#83 Vasto Mundo

Título: Vasto Mundo

Autor: Maria Valéria Rezende

Primeira publicação: 2001

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Objetiva/Alfaguara

“A vida é o que se vê, o que se sonha, o que se narra, o que se lembra ou se esquece?”

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#44 O Voo da Guará Vermelha

Título: O Voo da Guará Vermelha

Autor: Maria Valéria Rezende

Primeira publicação: 2005

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Objetiva/Alfaguara

“Aqui, ali, acolá, Rosálio corre nas linhas buscando a guará vermelha nos espinheiros das letras até vê-la com clareza e distinguir, luminosos, espinhos, penas e sangue.”

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Extrato Poético: Mário Quintana

Os Poemas

Os poemas são pássaros que chegam
não se sabe de onde e pousam
no livro que lês.
Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão.
Eles não têm pouso
nem porto
alimentam-se um instante em cada par de mãos
e partem.
E olhas, então, essas tuas mãos vazias,
no maravilhado espanto de saberes
que o alimento deles já estava em ti…

Mário Quintana in ‘Esconderijos do Tempo (Editora Objetiva/Alfaguara)

Extrato Poético: João Cabral de Melo Neto

A Palavra seda

A atmosfera que te envolve
atinge tais atmosferas
que transforma muitas coisas
que te concernem, ou cercam.

E como as coisas, palavras
impossíveis de poema:
exemplo, a palavra ouro,
e até este poema, seda.

É certo que tua pessoa
não faz dormir, mas desperta;
nem é sedante, palavra
derivada da de seda.

E é certo que a superfície
de tua pessoa externa,
de tua pele e de tudo
isso que em ti se tateia,

nada tem da superfície
luxuosa, falsa, acadêmica,
de uma superfície quando
se diz que ela é “como seda”.

Mas em ti, em algum ponto,
talvez fora de ti mesma,
talvez mesmo no ambiente
que retesas quando chegas,

há algo de muscular,
de animal, carnal, pantera,
de felino, da substância
felina, ou sua maneira,

de animal, de animalmente,
de cru, de cruel, de crueza, que sob a palavra gasta
persiste na coisa seda.

João Cabral de Melo Neto in ‘A Educação pela Pedra’ (Editora Objetiva/Alfaguara)

Extrato Poético: Mário Quintana

Eu Faço Versos

Eu faço versos como saltimbancos
Desconjuntam os ossos doloridos.
A entrada é livre para os conhecidos…
Sentai, amadas, nos primeiros bancos!

Vão começar as convulsões e arrancos
Sobre os velhos tapetes estendidos…
Olhai o coração que entre gemidos
Giro na ponta de meus dedos branco!

“Meu Deus! Mas tu não mudas o programa!”
Protesta a clara voz das bem-amadas.
“Que tédio!” o coro dos amigos clama.

“Mas que vos dar de novo e de imprevisto?”
Digo… e retorço as pobres mãos cansadas:
“Eu sei chorar… Eu sei sofrer… Só isto!”

Mário Quintana in ‘Esconderijos do Tempo’ (Editora Objetiva/Alfaguara)

Extrato Poético: João Cabral de Melo Neto

Catar Feijão

1.

Catar feijão se limita com escrever:
joga-se os grãos na água do alguidar
e as palavras na folha de papel;
e depois, joga-se fora o que boiar.
Certo, toda palavra boiará no papel,
água congelada, por chumbo seu verbo:
pois para catar esse feijão, soprar nele,
e jogar fora o leve e oco, palha e eco.

2.

Ora, nesse catar feijão entra um risco:
o de que entre os grãos pesados entre
um grão qualquer, pedra ou indigesto,
um grão imastigável, de quebrar dente.
Certo não, quando ao catar palavras:
a pedra dá à frase seu grão mais vivo:
obstrui a leitura fluviante, flutual,
açula a atenção, isca-a como o risco.

João Cabral de Melo Neto in ‘A Educação pela Pedra’ (Editora Objetiva/Alfaguara)