Dica – Cadernos de Literatura Brasileira

O Instituto Moreira Salles é uma entidade sem fins lucrativos de assistência à cultura do Brasil fundada pelo empresário e diplomata Walther Moreira Salles no início dos anos 1990. A organização, sediada em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, conta com preciosos acervos que abrangem as áreas de literatura, fotografia, iconografia, artes plásticas, música e cinema, organizando, preservando e divulgando conjuntos raros que abordam questões referentes à memória e à história do país.

Além da promoção de eventos e pesquisas e dos lançamentos em vídeo, o IMS publica livros, revistas e catálogos criados a partir de seus tesouros, também coeditando impressos com outras instituições. Em relação ao aporte literário, propõe a disponibilização de documentos diversos do arquivo pessoal de Carlos Drummond de Andrade, Carolina Maria de Jesus, Ana Cristina Cesar, Paulo Mendes Campos, Erico Verissimo, Lygia Fagundes Telles, entre outros autores, para consulta em seu site, a coordenação de exposições, a reedição de obras raras, a impressão de volumes especiais em fac-símile e a manutenção de plataformas específicas, como o portal sobre Clarice Lispector.

Outra importante realização do Instituto é a série Cadernos de Literatura Brasileira, que começou a ser produzida em 1996. Trata-se de uma coleção de grandes compêndios centrados em alguns escritores basilares de nossas letras,  destacando a pluralidade de vozes e tradições da prosa e da poesia nacionais, com artigos e ensaios de especialistas (críticos e amigos), manuscritos inéditos, registros fotográficos exclusivos e, por vezes, depoimentos e entrevistas cedidas pelos próprios perfilados, em cujo catálogo também entram nomes não pertencentes ao repositório do IMS, como Machado de Assis, Raduan Nassar, Hilda Hilst, João Guimarães Rosa, João Cabral de Melo Neto e Ariano Suassuna.

Dos 27 cadernos lançados, 11 estão disponíveis em formato digital, com o conteúdo liberado para leitura online e gratuita, incluindo o número divulgado em comemoração aos 10 anos da publicação, com um apanhado do melhor dos demais tomos. Vale a pena dar uma olhada e conhecer um pouco mais sobre a criação literária brasileira!

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#85 Risco No Disco

Título: Risco No Disco

Autor: Ledusha

Primeira publicação: 1981

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Luna Parque

“pele linguagem
vapores do desejo
estar entre o risco
do silêncio e ilhas.”

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#74 A Teus Pés

Título: A Teus Pés

Autor: Ana Cristina Cesar

Primeira publicação: 1982

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Companhia das Letras (Selo Poesia de Bolso)

“Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.”

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Literafilia: Sobre Poesia Marginal

No Brasil dos anos 1970, o regime militar ao mesmo tempo em que tentava proibir qualquer tipo de produção e comportamento que pudesse causar dano à sua estrutura, acabava por incentivar o surgimento de impactantes movimentos culturais atrelados à emergente juventude nacional.  Em meio a um ambiente de repressão, violência e vazio criativo, a nova geração sofreu uma metamorfose comportamental, ganhou voz e grande expressão, originando importantes rupturas em relação às concepções estéticas até então vigentes. O surto criativo que subverteu os padrões oficiais da literatura lançada na época adveio justamente do inconformismo com os moldes impostos pelas esferas acadêmica e política. A formação de uma poética “fora do sistema”, à margem da tradição, possibilitou a liberdade das amarras do conservadorismo intelectual através da escrita. Os versos sujos e irreverentes de notáveis desconhecidos ganhariam, mais tarde, respeitável destaque na historiografia de nossas letras, influenciando e inspirando, inclusive, muito do que é feito na contemporaneidade.

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Extrato Poético: Ana Cristina Cesar

Quartetos

Desdenho os teus passos
Retórica triste:
Sorrio na alma
De ti nada existe

Eu morro e remorro
Na vida que passa
Eu ouço teus passos
Compasso infernal

Nasci para a vida
De morte vivi
Mas tudo se acaba
Silêncio. Morri.

Ana Cristina Cesar in ‘Poética’ (Editora Companhia das Letras)

Extrato Poético: Ana Cristina Cesar

Nada, Esta Espuma

Por afrontamento do desejo
insisto na maldade de escrever
mas não sei se a deusa sobe à superfície
ou apenas me castiga com seus uivos.
Da amurada deste barco
quero tanto os seios da sereia.

Ana Cristina Cesar in ‘Poética’ (Editora Companhia das Letras)