#75 Cobra Norato

Título: Cobra Norato

Autor: Raul Bopp

Primeira publicação: 1931

Modalidade: Ficção/Poesia

Minha Edição: Editora José Olympio

“Um dia
eu hei de morar nas terras do Sem-fim”
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#74 A Teus Pés

Título: A Teus Pés

Autor: Ana Cristina Cesar

Primeira publicação: 1982

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Companhia das Letras (Selo Poesia de Bolso)

“Tarde aprendi
bom mesmo
é dar a alma como lavada.”

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Extrato Poético: Roberto Piva

A Piedade 

Eu urrava nos poliedros da Justiça meu momento abatido na extrema
paliçada
os professores falavam da vontade de dominar e da luta pela vida
as senhoras católicas são piedosas
os comunistas são piedosos
os comerciantes são piedosos
só eu não sou piedoso
se eu fosse piedoso meu sexo seria dócil e só se ergueria aos
sábados à noite
eu seria um bom filho meus colegas me chamariam cu-de-ferro e me
fariam perguntas: por que navio boia? Por que prego afunda?
eu deixaria proliferar uma úlcera e admiraria as estátuas de
fortes dentaduras
iria a bailes onde eu não poderia levar meus amigos pederastas ou
barbudos
eu me universalizaria no senso comum e eles diriam que tenho
todas as virtudes
eu não sou piedoso
eu nunca poderei ser piedoso
meus olhos retinem e tingem-se de verde
Os arranha-céus de carniça se decompõem nos pavimentos
Os adolescentes nas escolas bufam como cadelas asfixiadas
arcanjos de enxofre bombardeiam o horizonte através dos meus sonhos

Roberto Piva in ‘Um Estrangeiro na Legião’ (Editora Globo)

Extrato Poético: Ledusha

Errata

onde lia-se desejo
leia-se despejo

não quero mais
essa vertigem de vogais
– tantos ais –
como se fossem consoantes

Ledusha in ‘Finesse e Fissura’ (Editora Brasiliense)

Citação – Marina Colasanti

“Os livros fundamentais não são aqueles que a gente considera fundamental. Cada livro conquista o leitor em um determinado momento e de uma forma, de uma maneira profunda e por razões que nem ele nem o autor jamais saberão explicar. E este momento, esta epifania, faz esse livro ser fundamental para esse leitor.” – Marina Colasanti

#73 Até Você Saber Quem É

Título: Até Você Saber Quem É

Autor: Diogo Rosas G.

Primeira publicação: 2016

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“A inteligência, a sensibilidade e a espiritualidade de Satã são sempre exatamente proporcionais à inteligência, à sensibilidade e à espiritualidade do indivíduo sobre quem ele está trabalhando.”

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#72 Entropia

Título: Entropia

Autor: Alexandre Marques Rodrigues

Primeira publicação: 2016

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

 “Gozar, como morrer, ela disse, didaticamente, é um processo irreversível.”

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Extrato Poético: Carlos Drummond de Andrade

Congresso Internacional do Medo

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio porque esse não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte,
depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Carlos Drummond de Andrade in ‘Sentimento do Mundo’ (Editora Record)

#71 Nunca o Nome do Menino

Título: Nunca o Nome do Menino

Autor: Estevão Azevedo

Primeira publicação: 2008

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

 “Qual foi meu primeiro parágrafo?”

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#70 O Noviço

Título: O Noviço

Autor: Martins Pena

Primeira publicação: 1853

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora L&PM

“No mundo a fortuna é para quem sabe adquiri-la.”

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#69 Serafim Ponte Grande

Título: Serafim Ponte Grande

Autor: Oswald de Andrade

Primeira publicação: 1933

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Globo

“Serafim, a vida é essa.”

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Extrato Poético: Armando Freitas Filho

Corpo

Acrobata enredado
em clausura de pele
sem nenhuma ruptura
para onde me leva
sua estrutura?

Doce máquina
com engrenagem de músculos
suspiro e rangido
o  espaço devora
seu movimento
(braços e pernas
sem explosão)

Engenho de febre
sono e lembrança
que arma
e desarma minha morte
em armadura de treva.

Armando Freitas Filho in ‘Máquina de Escrever’ (Editora Nova Fronteira)

Extrato Poético: Leila Míccolis

Efeitos Óticos

Quanto mais se envelhece
mais os mortos se aproximam.
Mas a conversa é difícil:
eles usam expressões diáfanas,
ectoplásticas,
e sussurram sombras.

Às vezes,
figuras nos muros grafitam;
outros,
em torno da palavras gravitam.

E sempre que se vão,
atravessando tijolo,
concreto, cimento e cal,
nos deixam a confirmação

– nenhuma parede é real.

Leila Míccolis in ‘Desfamiliares’ (Editora Annablume)

#68 Neblina

Título: Neblina

Autor: Adalgisa Nery

Primeira publicação: 1972

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“Tudo era mudo e nessa mudez recebi o mistério dos grandes elementos da vida e da morte.”

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#67 Memórias Póstumas de Brás Cubas

"Memórias póstumas de Brás Cubas"Título: Memórias Póstumas de Brás Cubas

Autor: Machado de Assis

Primeira publicação: 1881

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Scipione

“Cada estação da vida é uma edição, que corrige a anterior, e que será corrigida também, até a edição definitiva, que o editor dá de graça aos vermes.”

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