Literafilia: Sobre Julgar Livro Pela Capa

Em uma cultura em que o recurso visual muitas vezes se sobressai ao conteúdo, a capa, enquanto embalagem do livro, tem uma importância crucial no processo editorial, servindo de guia do que será encontrado no interior de tal suporte ou constituindo seu principal meio de propaganda. Ela geralmente é construída tendo em vista a sedução dos leitores, podendo apresentar, além do título, nome do autor e indicação da editora, alguma referência sutil ou explícita ao escrito que protege. Esse elemento, todavia, não traduz completamente o conteúdo impresso, podendo gerar experiências frustrantes ou grandes mal-entendidos.

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#DesafioLivrosBR

Desafios literários são bem comuns na rede, principalmente ao nascer de um novo ano. Muitos envolvem gostos (e desgostos) pessoais, alguns seguem alguma “moda” editorial, assim como outros abarcam considerável dificuldade elencando uma enorme quantidade de títulos. Ainda há aqueles que privilegiam a qualidade em detrimento da quantidade de leituras, convocando diversas modalidades que instigam o real aproveitamento e debate das obras.

1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer a partir de agora proporá um projeto anual de incentivo à leitura da literatura tupiniquim, o #DesafioLivrosBR. Nosso plano consiste em listar 12 categorias de livros brasileiros a serem lidos durante os 12 meses do ano corrente, como uma versão mais concentrada e totalmente voltada para a produção nacional dos vários desafios presentes na blogosfera (que, por sua vez, se inspiram direta ou indiretamente no esquema do gringo Reading Bingo Challenge).

Para participar, basta ler livros nacionais que se encaixem nas indicações a seguir:

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  • Janeiro: Livro de Estreia

Começando com o primeiro livro lançado por um(a) escritor(a) brasileiro(a), podendo ser de qualquer gênero literário e qualquer época. É uma ótima oportunidade de conhecer o trabalho inicial daqueles(as) autores(as) que vocês tanto admiram e respeitam ou até descobrir novos nomes de nossa literatura partindo do princípio.

  • Fevereiro: Livro de Poesia

Para o mês mais curto do ano, a coletânea de versos de um(a) escritor(a) brasileiro(a), abrangendo qualquer época. Aqui também vale ler escritores(as) que não necessariamente dedicaram sua pena ao gênero lírico.

  • Março: Livro de Autoria Feminina

A autoria feminina merece destaque nesse desafio, contribuindo para a retificação do silêncio e do menosprezo impostos a tantas escritoras no passado de nossa historiografia. O livro de uma autora brasileira pode ser de qualquer gênero literário e qualquer época, assinalando o poder e a importância das mulheres de nossas letras.

  • Abril: Livro de Contos

O Brasil é cheio de mestres no trabalho com os contos e nosso desafio não poderia deixar de contemplar esse gênero literário. O livro de um(a) contista nacional poderá ser de qualquer época.

  • Maio: Peça Teatral

Infelizmente, o gênero dramático ainda é muito pouco explorado dentro de nossa literatura. Considerando este fato, é claro que vamos ler o livro de algum(a) dramaturgo(a) brasileiro(a) ou de outros(as) escritores(as) nacionais que também se aventuraram pelo teatro, abrangendo qualquer época.

  • Junho: Biografia ou Livro de Memórias

Toda história de vida pode ser grandiosa, tornando-se literatura nas mãos de biógrafos(as) ou memorialistas. O livro sobre a trajetória de alguma notável personalidade nacional pode ser de qualquer época, mas deve necessariamente envolver o relato pessoal ou a pesquisa jornalística de algum(a) autor(a) brasileiro(a).

  • Julho: Calhamaço

Um grande livro tanto pode provocar como assustar os leitores, sejam iniciantes ou experientes. Nesta perspectiva, a leitura do mês das férias exigirá uma maior dedicação: algum livro publicado por um(a) escritor(a) nacional com 500 páginas ou mais, podendo ser de qualquer gênero literário e qualquer época.

  • Agosto: Livro de Autor(a) do Seu Estado

Vamos explorar ainda mais as letras locais prestigiando a produção de nossos(as) conterrâneos(as). Compartilhando os(as) escritores(as) dos nossos estados (abarcando qualquer época), exploraremos novos horizontes da literatura brasileira, evidenciando sua enorme abrangência e diversidade.

  • Setembro: Livro Adaptado Para o Cinema

Na convergência entre diferentes artes, um livro escrito por algum(a) autor(a) brasileiro(a) que foi transformado em roteiro de filme de longa ou curta-metragem, podendo ser de qualquer época e qualquer gênero literário, abrangendo uma parte ou a totalidade de seu conteúdo.

  • Outubro: Livro Infantil ou Juvenil

A literatura brasileira destinada a crianças e jovens não poderia ficar de fora, com o livro de algum(a) autor(a) nacional podendo ser de qualquer gênero e época.

  • Novembro: Livro de Crônicas

Esse gênero altamente ligado à profundidade e beleza de questões cotidianas também tem lugar cativo no nosso projeto, com a coletânea de algum(a) cronista brasileiro(a) podendo abarcar qualquer época.

  • Dezembro: Livro Lançado no Ano

Para fechar o desafio, um estímulo para que nos inteiremos das novidades literárias do mercado editorial brasileiro no desenrolar do ano. O livro de um(a) escritor(a) nacional pela primeira vez publicado em 2017 pode ser de qualquer gênero.

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A ordem das categorias poderá ser trocada em favor do ritmo, das possibilidades e das escolhas de cada leitor, que terá a licença inclusive de saborear mais obras por mês ou concentrar todas as leituras em um único período do ano. O que vale é, partindo dos critérios do desafio, lermos juntos 12 livros nacionais em 2017! Sim, o blog também integrará o desafio e vocês poderão ler todo mês um texto sobre o livro selecionado para cada modalidade.

Interessa ressaltar ainda que não precisamos definir todos os títulos logo de cara, muito menos obrigatoriamente comprá-los para participar do projeto, já que temos a opção de pegá-los emprestado de amigos e parentes ou de uma biblioteca, bem como baixá-los da internet e folheá-los em suportes digitais. Nossas leituras poderão ser acompanhadas pelos participantes nas redes sociais através da hashtag que dá nome à ação (#DesafioLivrosBR), com todos podendo discutir e conhecer um pouco mais da literatura brasileira.

Não se esqueçam de consultar o nosso acervo de postagens para dicas de autores e obras interessantes ao projeto! Qualquer dúvida será sanada nos comentários.

Vamos ler mais livros brasileiros neste ano?

Literafilia: Sobre as Paternidades de Machado de Assis

O fascínio pelo escritor Machado de Assis persiste de maneira impressionante, fato manifestado na intensa produção impressa que o têm como centro das atenções. Não contestando sua enorme habilidade artística e obliquidade de estilo, é certo que a posição historicamente construída de “maior figura” da literatura nacional muito contribuiu para esta conjuntura de febril estima e interesse. Ao mesmo tempo em que se alimentam teorias sobre aspectos particulares do passado do autor, surgem novos olhares sobre a influência de sua trajetória pessoal nas obras que publicou, aquecendo o meio acadêmico e a própria criação ficcional brasileira. Todavia, junto a descobertas importantes para a crítica, também são estimuladas diversas hipóteses de foro íntimo, como a que abrange a ocultação de um suposto filho fora do casamento. Tal pressuposto chegou a ser apontado como forma de desrespeito à sua memória por admiradores mais rígidos, ressaltando certa “sacralização” atribuída ao nome deste ilustre homem de nossas letras.

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Literafilia: Sobre Poesia Marginal

No Brasil dos anos 1970, o regime militar ao mesmo tempo em que tentava proibir qualquer tipo de produção e comportamento que pudesse causar dano à sua estrutura, acabava por incentivar o surgimento de impactantes movimentos culturais atrelados à emergente juventude nacional.  Em meio a um ambiente de repressão, violência e vazio criativo, a nova geração sofreu uma metamorfose comportamental, ganhou voz e grande expressão, originando importantes rupturas em relação às concepções estéticas até então vigentes. O surto criativo que subverteu os padrões oficiais da literatura lançada na época adveio justamente do inconformismo com os moldes impostos pelas esferas acadêmica e política. A formação de uma poética “fora do sistema”, à margem da tradição, possibilitou a liberdade das amarras do conservadorismo intelectual através da escrita. Os versos sujos e irreverentes de notáveis desconhecidos ganhariam, mais tarde, respeitável destaque na historiografia de nossas letras, influenciando e inspirando, inclusive, muito do que é feito na contemporaneidade.

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Literafilia: Sobre Crônicas

A maioria dos escritores brasileiros começou sua trajetória no universo das letras por meio das publicações periódicas. Os jornais e as revistas foram por muito tempo os principais meios de difusão da literatura em nosso país, constituindo, na verdade, uma parte importante desta, fonte viva e essencial para o traçar de sua história. Antes da facilidade de divulgação advinda da internet, eram estes suportes impressos que proporcionavam a notoriedade imprescindível a qualquer autor que quisesse viver da arte. O mercado livreiro nacional também nunca foi fácil aos iniciantes, que acabavam voltando suas penas para aquelas páginas vendidas diariamente.

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Literafilia: Sobre Bibliotecas

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A Biblioteca para muitos sempre representou um lugar chato, cheio de regras, silêncio e tédio, sendo comparada a uma prisão, com estantes no lugar das grades, até mesmo por aqueles que amam os livros. Ademais, este ambiente, às vezes tão esquecido, tem sim sua importância, atrelada a algumas vantagens e tesouros escondidos.

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Literafilia: Sobre Falsas Autorias e Erros de Citação

A internet opera um papel importante e ambíguo em relação ao legado dos grandes nomes da Literatura. A leitura nunca foi tão facilitada e disseminada.  Diversos escritores passaram a dividir espaço na vida corrida dos brasileiros e isto se deve, ao menos em parte, à sua propagação na rede. Ademais, tal compartilhamento às vezes vem atrelado a informações erradas, afetando diretamente o nosso patrimônio cultural e causando constrangimento.

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Literafilia: Sobre Leitura e Tempo

O tempo sempre foi um inimigo para os leitores compulsivos, cujo desejo de ler mais rápido é permanente. A noção de rapidez na leitura pode ser logo ligada à superficialidade em interpretações, à mera decodificação das palavras. Mas quem disse que uma apreensão mais rápida do texto, e mesmo assim eficaz, não é realizável? Esse tipo de leitura vem significando muito para os que, como eu, ambicionam ler o maior número de livros possível até o fim da vida. Afinal, são tantos títulos bons, um número infinito, que o desejo de ler tudo torna-se impossível. Tentar apreciar ao menos uma boa parte é o que resta. Os livros vão então fazendo fila e os obstáculos atrasadores vão aparecendo. O que fazer?

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Literafilia: Sobre Dedicatórias

Minha relação com estes pequenos (ou grandes) textos, escritos geralmente na folha de rosto dos livros, sempre se deu de forma difícil. Desde que li meu primeiro livro, tive comigo que um livro não era feito para se escrever nada além do que já vinha escrito nele. Qualquer reflexão ou comentário deveria ser escrito em outro lugar. Entendia o valor afetivo das dedicatórias, mas não as queria nos livros. Por que não as escrever em papéis separados (como em cartões comemorativos) e depois as entregar dentro dos livros? Por que não simplesmente as proferir oralmente?

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