Extrato Poético: Antonio Cicero

Guardar

Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.
Em cofre não se guarda coisa alguma.
Em cofre perde-se a coisa à vista.

Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por
admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.

Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por
ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por ela,
isto é, estar por ela ou ser por ela.

Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que um pássaro sem vôos.

Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica,
por isso se declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.

Antonio Cicero in ‘Guardar’ (Editora Record)

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#90 Azul e Dura

Título: Azul e Dura

Autor: Beatriz Bracher

Primeira publicação: 2002

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora 7Letras

“Nada importa quando nada está certo.”

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Literafilia: Sobre Julgar Livro Pela Capa

Em uma cultura em que o recurso visual muitas vezes se sobressai ao conteúdo, a capa, enquanto embalagem do livro, tem uma importância crucial no processo editorial, servindo de guia do que será encontrado no interior de tal suporte ou constituindo seu principal meio de propaganda. Ela geralmente é construída tendo em vista a sedução dos leitores, podendo apresentar, além do título, nome do autor e indicação da editora, alguma referência sutil ou explícita ao escrito que protege. Esse elemento, todavia, não traduz completamente o conteúdo impresso, podendo gerar experiências frustrantes ou grandes mal-entendidos.

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#89 Memórias de um Gigolô

Título: Memórias de um Gigolô

Autor: Marcos Rey

Primeira publicação: 1968

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Global

“Realmente eu não sabia o que queria ser. Aliás, sabia, sim. Não queria ser nada.”

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Listeratura: Casais na Ficção

A literatura, enquanto expressão artística da essência humana, sempre contemplou a história de amor como interessante elemento para a ficção. De fato, os encontros e desencontros de casais permanecem surtindo algum efeito nos leitores, seja fazendo-os torcer por um final feliz ou odiar a combinação entre os personagens, seja simplesmente estabelecendo certo nível de identificação com o desenrolar dos relacionamentos narrados. Indo além da mera idealização romântica e se aproximando a uma dimensão mais autêntica da convivência amorosa, esta lista evoca alguns casais memoráveis da produção literária brasileira, com os escritores revelando diferentes perspectivas acerca do contato interpessoal e a intensidade de seus desdobramentos.

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#88 Ferrugem

Título: Ferrugem

Autor: Marcelo Moutinho

Primeira publicação: 2017

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“[…] embora diferentes, algumas coisas continuam.”

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Citação – Fernando Bonassi

“Não acredito em literatura feliz, isso não existe. Não acredito sequer em felicidade, no máximo você faz um ajuste. Enquanto você está bem aqui, tem um cara cheio de ódio lá embaixo.” – Fernando Bonassi

#87 Maíra

Título: Maíra

Autor: Darcy Ribeiro

Primeira publicação: 1976

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Global

“Ser dois é não ser nenhum, ninguém.”

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#86 Céus e Terra

Título: Céus e Terra

Autor: Franklin Carvalho

Primeira publicação: 2016

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“No céu, somos como Deus, e vemos a gema dentro do ovo.”

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#85 Risco No Disco

Título: Risco No Disco

Autor: Ledusha

Primeira publicação: 1981

Modalidade: Poesia

Minha Edição: Editora Luna Parque

“pele linguagem
vapores do desejo
estar entre o risco
do silêncio e ilhas.”

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Listeratura: Carnaval na Literatura

Carnaval é o nome dado ao rito tradicionalmente ligado à Igreja Católica realizado nos três dias que precedem a quarta-feira de cinzas ou primeiro dia da Quaresma (que equivale a quarenta dias de jejum). Todavia, com o passar do tempo, essa festividade foi abarcando elementos que se faziam notórios na oposição ao tom sério e religioso de sua origem. No Brasil, o festejo adquiriu contornos culturais e de manifestação popular, sendo hoje um feriado oficial comumente ligado à imagem de carros alegóricos em desfiles temáticos, bonecos gigantes e coloridos,  foliões fantasiados, cobertos de confete e serpentina, dançando ao som de ritmos agitados (como o frevo, o axé e o samba) em bailes ou conglomerados de rua. Cada região do país foi reinterpretando a festa de acordo com sua história e costumes locais, contribuindo para sua bela e enorme diversidade. É claro que uma época tão importante para tantos brasileiros também iria fazer-se presente em nossa literatura, com diversos autores celebrando seu clima de alegria ou refletindo sobre seus aspectos sociais. Nesta perspectiva, convido-os a relembrar alguns livros nacionais que se relacionam ao Carnaval, trazendo-o como cenário ou elemento simbólico de grande importância.

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#84 Valsa Para Bruno Stein

Título: Valsa Para Bruno Stein

Autor: Charles Kiefer

Primeira publicação: 1986

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“O pecado, compreendia agora, estava dentro dele, deitava raízes, alastrava-se pelos dutos da alma.”

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#83 Vasto Mundo

Título: Vasto Mundo

Autor: Maria Valéria Rezende

Primeira publicação: 2001

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Objetiva/Alfaguara

“A vida é o que se vê, o que se sonha, o que se narra, o que se lembra ou se esquece?”

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#82 O Matador

Título: O Matador

Autor: Patrícia Melo

Primeira publicação: 1995

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Companhia das Letras

“Deus só pensa no homem quando tem que decidir como é que vai destruí-lo.”

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Extrato Poético: Eucanaã Ferraz

Sob a Luz Feroz do Teu Rosto

Amar um leão usa-se pouco,
porque não pode afagá-lo
o nosso desejo de afagá-lo,
como tantas vezes cão ou gato
aceitam-nos a mão a deslizar
sobre seu pelo;
amar um leão não se devia,
agora que já não somos divinos,
quando a flauta que tudo
encantaria, gentes animais
pedras, nós a quebramos contra
a ventania; amar
um leão é só distância: tê-lo ao lado,
não poder beijá-lo, o deserto
que habita em torno dele;
era mais certo amar um barco,
era mais fácil amar um cavalo;
amar um leão é não poder amá-lo;
e nada que façamos adoça
o que nele nos ameaça se
amar um leão nos acontece:
à visão de nosso coração
ofertado, tudo nele se eriça,
seu desprezo cresce;
amar um leão, se nos matasse;
se nos matasse o leão que amamos
seria a dor maior, mais que esperada:
presas patas fúria cravadas em nossa carne;
mas o leão, que amamos,
não nos mata.

Eucanaã Ferraz in ‘Sentimental’ (Editora Companhia das Letras)