Extrato Poético: Zila Mamede

Soneto Geométrico

Ventre da noite, incesto, cavernoso,
gerando ideia longitudinal.
O frio vento insólito e anguloso
vertendo em gesto azul a flor do mal

que vinda foi de rio caudaloso
e após ter sido areia e também sal
fundiu-se logo em ângulo brilhoso
descrito num momento horizontal,

por causa de um desejo da neblina
que, pura, quis traçá-lo na retina,
em formas, já, de justificação.

Tranquila, a flor do mal purificada
despiu-se, pois, de forma avermelhada
por branco horizontal de redenção.

Zila Mamede in ‘Rosa de Pedra’ (Editora Queima-Bucha)

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2 Comentários

  1. Confesso minha curta capacidade de admirar sonetos, para além dos já canonizados. nada contra aqueles que cultivam a forma, mas me dou a licença de não apreciar com igual intensidade. No entanto, é sempre louvável a busca de expressão poética, qualquer que seja a forma eleita para isso…;-)

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  2. Um primor 👏👏👏

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