#45 O Homem Que Calculava

Título: O Homem Que Calculava

Autor: Malba Tahan

Primeira publicação: 1939

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“Da incerteza do cálculo é que resulta o indiscutível prestígio da Matemática.”

O pedagogo Júlio César de Mello e Souza soube muito bem exercer o magistério ao mesmo tempo em que desenvolvia o exercício literário. Com a invenção da figura de Malba Tahan, ele trouxe à luz inúmeras obras que uniam lendas de diferentes culturas e etnias ao saber matemático, contribuindo para a difusão do gosto e da curiosidade pelo raciocínio lógico no Brasil. Sua publicação de maior sucesso, O Homem que Calculava, foi premiada pela Academia Brasileira de Letras (ABL) e acabou se tornando um verdadeiro clássico para o público infantil e juvenil, sendo constantemente reeditada.

Quando o autor carioca criou a entidade que assina a maioria de seus livros, quis que ela parecesse real, construindo sua trajetória biográfica por meio do estudo da língua e da cultura da civilização árabe. O empenho no aprendizado de costumes e tradições também visava uma escrita mais convincente, trazendo, por exemplo, maiores detalhes de ambientação às narrativas por meio do exame de gravuras, fotografias e mapas de regiões do Oriente Médio.

Sendo assim, os leitores tomam conhecimento de que Ali Yezid Ibn-Abul Izz-Eddin Ibn-Salin Hank Malba Tahan nasceu em 1885, na Península Arábica, em uma aldeia conhecida como Muzalit, próxima à cidade de Meca. Ele foi convidado ainda jovem a ocupar o posto de prefeito no município de El-Medina. Tendo estudado no Egito e na Turquia, decidiu conhecer outras regiões do mundo ao receber uma grande fortuna de herança do pai, passando em viagem pela Rússia, China, Japão e Índia, além de ter feito morado por algum tempo no nosso país. Teria morrido em 1921, lutando pela liberdade de uma pequena comunidade da região da Arábia Central.

Os primeiros exemplares lançados com o nome de Tahan traziam na primeira página a imagem de um homem de turbante e barba longa, formando uma representação que se perpetuou durante muitos anos. Para sustentar com ainda mais veracidade os dados da vida de sua criação, Mello e Souza também concebeu o professor Breno Alencar Bianco, que teria traduzido as obras do escritor árabe para o português, também acrescentando aos textos significativas notas de rodapé. A verdadeira autoria dos livros só viria a ser desvendada em 1933, pela poetisa carioca Rosalina Coelho Lisboa. Ademais, Malba Tahan já estava transfigurado em alguém de existência concreta à época, com Júlio César de Mello e Souza vindo a ser autorizado legalmente a assumir esta outra identidade em qualquer impresso.

O enredo de O Homem que Calculava centra-se no jovem persa Beremiz, que desenvolve uma larga habilidade matemática pastoreando ovelhas e contando pássaros, pequenos insetos ou folhas de árvore. Faz amizade com Hank Tade-Maiá, o narrador da história, e decide acompanha-lo numa jornada rumo a Bagdá. A dupla viaja e u camelo e vai conhecendo diversas pessoas e lugares, com o protagonista sempre solucionando os problemas que aparecem pelo caminho com a ajuda dos números.

Chegando em território bagdali, Beremiz torna-se professor de Telassim, moça da realeza que traz o rosto continuamente coberto por um véu. Os dois se apaixonam e ele enfrenta alguns desafios até receber a autorização de desposá-la. As várias aventuras do personagem principal acabam recheando a trama com muitas fábulas e lendas orientais, além de trazer curiosidades sobre quantidades, medidas, espaços, estruturas e estatísticas, surpreendendo através de sua inteligência e praticidade em resolver qualquer questão ou desafio referente ao cálculo.

Os capítulos curtos e envolventes resultam numa leitura ágil e bastante prazerosa. A linguagem fácil casa muito bem com as peripécias contadas. O volume ainda apresenta glossário de palavras em árabe e persa, gráficos explicativos, citações de filósofos e cientistas a respeito dos números, informações sobre calculistas famosos e sobre a presença dos árabes na matemática, além, é claro, da resolução de cada problema colocado a Beremiz.

A maneira lúdica e agradável de tratar o aprendizado é com certeza o ponto chave do romance, convidando à reflexão sobre a importância de um ensino mais informal da matemática. Sem atentar-se a fórmulas mecânicas, muitas passagens mostram que o saber numérico pode ajudar sim em muitas situações, sendo imprescindível ao nosso cotidiano. A obra consegue, assim, unir ficção e ciência de modo a despertar o gosto pelos algarismos e jogos matemáticos, também tratando de noções de filosofia, arte, geografia, história, etc. Trata-se de um criativo compêndio didático que, com o suporte literário, não se rende a uma experiência de educação fria e dogmática, deleitando o leitor ao mesmo tempo em que o instrui.

____________________________________________________________

Referências Utilizadas:

TAHAN, M. O homem que calculava. Rio de Janeiro: Record, 2010.
ISBN: 9788501061966

www.malbatahan.com.br

Anúncios
Post seguinte
Deixe um comentário

Comente!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: