#39 O Jardim do Diabo

Título: O Jardim do Diabo

Autor: Luis Fernando Verissimo

Primeira publicação: 1988

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Objetiva

 “A mente ociosa é o jardim do diabo.”

Luis Fernando Verissimo continua sendo um dos autores mais conhecidos e lidos do Brasil. O gaúcho possui uma extensa produção enquanto cronista, romancista e cartunista, contribuindo para diversos jornais do país, em que também já desempenhou as funções de publicitário, revisor e tradutor. Seus textos são marcados pela sátira de costumes, com humor corrosivo e inteligente.

O primeiro romance de Luis Fernando, O Jardim do Diabo, apresenta uma interessante narrativa dividida em duas camadas ficcionais. Num primeiro nível, acompanhamos o relato de Estevão, narrador e personagem principal do livro, um prolífico escritor de livros policiais vendidos em banca de revista. Todas as suas publicações são assinadas com algum pseudônimo americano e trazem como figura principal o detetive Conrad James, ex-marinheiro e exímio conquistador amoroso. Num segundo nível, seguimos a aventura que está sendo escrita por Estevão, uma sequencia de “Ritual Macabro”, seu último livro editado.

Estevão vive isolado em seu apartamento desde que perdeu o pé em um acidente, tendo contato apenas com dona Maria, sua cozinheira, e Lilia, a faxineira que também é sua amante. A verdadeira companhia vinha da maquina de escrever e dos personagens que criava. Seus dias tranquilos acabam quando ele recebe a visita inesperada do inspetor de polícia Macieira, fã do escritor que investiga um crime ocorrido no bairro Jardim Paraíso. Uma mulher havia sido morta a facadas em seu quarto, com o seu sangue sendo utilizado para escrever alguma palavra grega na parede. A cena é exatamente igual à descrita em “Ritual Macabro”, no qual uma cidade é aterrorizada por um assassino conhecido como “O Grego”, cuja “assinatura” era a palavra anangke (“necessidade” em grego), escrita com o sangue das vítimas na parede dos locais onde os homicídios aconteciam. O delito, no entanto, teria ocorrido antes do lançamento do livro. Realidade e ficção passam a se misturar na vida e na cabeça do protagonista.

Por algum motivo, o escritor tinha colocado certa profundidade na sua história anterior. O herói Conrad não conseguiu matar o vilão no final, como nos outros livros. Não se tratava de mais um livro de “quinta categoria”, como sempre julgou os seus títulos. Personagem e criador davam início a uma jornada de autoconhecimento e reflexão, alimentada pela perturbação emocional de Estevão, que revisita o próprio passado questionando sobre a imagem de sua família.

O livro é bem humorado e capta a essência do suspense, brindando os leitores com um enredo complexo, repleto de metalinguagem e referências. Através de um vocabulário sem complicações, a leitura oferece um ritmo ágil e empolgante.

No final, o romance de estreia de Luís Fernando Verissimo se mostra como uma profunda meditação a respeito do verdadeiro papel da literatura para os escritores. Ela constitui um meio eficaz de catarse, ajudando-os a expressar e compreender o seu interior.

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Referências Utilizadas:

VERISSIMO, L. F. O Jardim do Diabo. Rio de Janeiro: Editora Objetiva, 2005.
ISBN: 9788573026955

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Musicoteca: Carnaval no Inferno (2008). Disco de Eddie.

Indico o segundo álbum da banda Eddie para acompanhar os desenlaces do livro de Luis Fernando Verissimo. O grupo pernambucano mistura certa levada festeira com belas composições sobre a vida e o tempo. O disco Carnaval no Inferno possui a fantástica participação de Karina Buhr.

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