#37 A Escrava Isaura

Título: A Escrava Isaura

Autor: Bernardo Guimarães

Primeira publicação: 1875

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora L&PM

“… o coração é livre; ninguém pode escravizá-lo, nem o próprio dono.”

O escritor Bernardo Guimarães se destaca na literatura nacional por uma extensa e variada produção escrita, composta de romances, contos, peças de teatro e poesias. A Escrava Isaura é talvez o mais famoso título publicado pelo mineiro, sendo reconhecido inclusive por Dom Pedro II, então Imperador do Brasil na época de seu lançamento.

O enredo apresenta o drama de Isaura, moça de pele alva fruto da relação entre a escrava Juliana e o feitor português Miguel. A jovem tornou-se protegida da matriarca da família que a possuía, sendo criada e educada como uma verdadeira dama, mesmo herdando da mãe (falecida quando ela era ainda muito pequena) a condição de prisioneira. A vida da personagem central sofre uma terrível reviravolta quando seus antigos senhores morrem e ela se torna propriedade do filho do casal. Sua ilustre beleza encanta o inescrupuloso Leôncio que, mesmo casado com a nobre Malvina, passa a persegui-la com violentos galanteios.

Miguel, não conseguindo comprar a alforria da filha, foge com ela para o nordeste do Brasil. Os dois se instalam em Recife, onde adotam novos nomes. É lá que Isaura conhece o jovem abolicionista Álvaro e os dois se apaixonam intensamente. Este amor se mostra como a única chave para a libertação da protagonista.

O narrador de terceira pessoa localiza os acontecimentos em meados do século XIX, em uma fazenda do antigo município de Campos de Goitacazes, um dos principais pontos da economia escravagista na região sudeste do país. O local é apresentado em toda a sua exuberância natural e organização arquitetônica relacionada ao poder oligárquico, com as senzalas ao redor da casa-grande. A linguagem empregada é bem simples, apesar de a narrativa ser atravessada por inspiradas descrições que tendem a afetar o ritmo da leitura.

Considero relevante destacar que o livro surgiu no período de efervescência das campanhas abolicionistas no país, com os discursos em favor da liberdade alcançando enorme popularidade. Ademais, vemos o autor tratar do tema da escravidão de uma forma possível a uma época até então marcada pelo conservadorismo social. É preciso, pois, compreender e encarar como importante o contexto histórico de produção e circulação da obra, não dando vasão a anacronismos.

Dependente de uma ainda pequena massa letrada, Bernardo Guimarães parece ter tomado cuidado em não provocar os leitores mais tradicionalistas, pincelando discretamente suas ideias antiescravistas através das falas de alguns personagens e da ênfase sentimental no sofrimento de sua protagonista. Contudo, por meio da figura de uma escrava branca e virtuosa, escolha aparentemente contraditória, o escritor conquistou a solidariedade do público consumidor de romances daquele tempo (constituído em maioria por mulheres burguesas), conseguindo ressaltar de certa forma a discussão em torno das questões libertárias.

Download gratuito do livro na biblioteca digital Domínio Público

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Referências Utilizadas:

GUIMARÃES, B. A Escrava Isaura.  São Paulo: Editora L&PM, 2011.
ISBN: 9788525408518

BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. pp. 142-144.

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