Extrato Poético: Ricardo Aleixo

Paupéria Revisitada

Putas, como os deuses,
vendem quando dão.
Poetas, não.
Policiais e pistoleiros
vendem segurança
(isto é, vingança ou proteção).
Poetas se gabam do limbo, do veto
do censor, do exílio, da vaia
e do dinheiro não).
Poesia é pão (para
o espírito, se diz), mas atenção:
o padeiro da esquina balofa
vive do que faz; o mais
fino poeta, não.
Poetas dão de graça
o ar de sua graça
(e ainda troçam
— na companhia das traças —
de tal “nobre condição”).
Pastores e padres vendem
lotes no céu
à prestação.
Políticos compram &
(se) vendem
na primeira ocasião.
Poetas (posto que vivem
de brisa) fazem do No, thanks
seu refrão.

Ricardo Aleixo in ‘Máquina Zero’ (Editora Scriptum)

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1 comentário

  1. Gente que texto genial!!! Incrível muita consciência e lucidez posta em versos. Estou absurdada e encantada! Adorei! Só li verdade, nuas, cruas… certeiras!

    Pandora
    O que tem na nossa estante

    Resposta

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