#24 Orfeu da Conceição

Título: Orfeu da Conceição

Autor: Vinicius de Moraes

Primeira Publicação: 1954

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Companhia das Letras (Selo Companhia de Bolso)

“Só não morre no mundo a voz de Orfeu.”

O carioca Vinicius de Moraes, além de ser compositor conhecido da MPB e um dos fundadores da Bossa Nova, foi também um dos mais importantes escritores da nossa literatura, cultivando poesia, crônica e teatro. Sua obra Orfeu da Conceição transporta para o cenário brasileiro o mito de Orfeu, aproximando os negros cariocas das favelas aos heróis das tragédias gregas. A peça acabou quebrando tabus e inaugurando amizades importantíssimas para o cenário cultural do Brasil.

O texto foi encenado dois anos após sua primeira edição em espetáculo musical composto em parceria com o pianista Tom Jobim, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O arquiteto Oscar Niemeyer fez os cenários, os desenhistas Carlos Scliar e Djanira fizeram os cartazes e o Teatro Experimental do Negro do ativista social e então ator Abdias Nascimento forneceu os atores para o elenco. A trilha sonora da peça foi lançada em vinil pela gravadora Odeon, alcançando um sucesso estrondoso. A dupla Vinicius e Tom viria se tornar constante, resultando em marcantes composições, verdadeiros clássicos da música brasileira.

A peça narra em três atos a triste história de Orfeu, um sambista que vive num morro carioca, filho do músico Apolo e da lavadeira Clio. Ao se apaixonar por uma linda mulata chamada Eurídice, o jovem desperta a raiva de Mira, sua ex-amante, que une-se a Aristeu, homem obcecado por Eurídice, contra a paixão do casal, culminando num final trágico aos moldes da tradição grega. Toda a história se passa durante o período de Carnaval, encerrando-se simbolicamente antes da quarta-feira de cinzas.

Encantado com a realidade afro-brasileira dos morros do Rio de Janeiro, o poetinha (assim apelidado por Jobim) teve o mérito de escrever uma peça para ser encenada essencialmente por atores negros, que ainda eram quase sempre colocados em posição subalterna no teatro nacional do inicio dos anos 1950.

A Tragédia Carioca de Vinicius se faz mais atrativa que o próprio conto mítico principalmente por um tempero real diretamente ligado ao fascinante âmbito da arte. A poesia e musicalidade permeiam todo o texto através da bela estruturação de seus diálogos e monólogos, dotados de passagens inesquecíveis. O livro é curto, mas sua leitura deve ser saboreada em cada detalhe.

Obra disponível para leitura integral no site oficial do autor

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Referências Utilizadas:

MORAES, V. Orfeu da Conceição. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.
ISBN: 9788535923070

www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/teatro/orfeu-da-conceicao

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Filmoteca: Orfeu Negro (1959). Filme dirigido por Marcel Camus com Breno Mello e Marpessa Dawn.

Entre 1957 e 1958, o diretor francês Marcel Camus filmou Orfeu do Carnaval no Rio de Janeiro, filme que depois recebeu o nome de Orfeu Negro. A produção, narrada em português e composta por atores brasileiros, foi lançada em 1959, não sendo recebida com bons olhos por Vinicius, apesar deste ter abraçado o projeto num primeiro momento, compondo inclusive mais duas canções para sua trilha sonora. O filme ganhou os principais prêmios do Festival de Cannes do mesmo ano, além do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar e no Globo de Ouro de 1960. É ainda hoje o único filme brasileiro a ter ganho um Oscar, apesar da Academia reconhecer o filme como francês por causa de seu diretor.

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Musicoteca: Orfeu da Conceição (1956).

A trilha sonora da peça, uma colaboração de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Roberto Paiva e Luiz Bonfá, é fantástica. Destaque para a clássica canção Se Todos Fossem Iguais A Você.

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7 Comentários

  1. Amigo Valnikson, entendo agora seu comentário! HAHAHAHAH…
    Começo a acreditar que temos gostos literários parecidos…apesar do seu material aqui ser mais “sério” e profissional comparado ao do Irônica, LoL
    Ótimo post! Eu citei a adaptação de 1999 e assisti…é ruim mesmo…mas sei lá, é bom pra galera ver qual é qual…além do mais, eu prefiro o Toni Garrido mais como cantor mesmo :p
    Abraço! \o

    Responder
    • Amigo Jefferson, temos mesmo gostos bem parecidos! É muito bom saber que o Irônica Literatura também compartilha impressões sobre os livros brasileiros aqui na internet. Acabei de ler seu post a respeito desta obra do Vinicius. Muito massa a ponte com os Cavaleiros do Zodíaco, cara! Ficou demais! Acho seu estilo de escrever único e muito bem humorado. Não mude isso nunca. :)
      Um grande abraço!

      Responder
  2. Li recentemente!

    Responder
  3. Olá, Ademar! A canção é realmente muito linda. É uma pena ela não compor o clássico álbum com a trilha da peça.
    À respeito da “crítica” (apenas compartilhei uma impressão) à atuação do Toni Garrido no filme de 1999, não verifiquei nenhum viés racista no meu comentário ou no do leitor Jefferson. Não gostei da escolha dele para a nova adaptação pela falta de experiência do cantor como ator, não por ele ser brasileiro (algo que certamente eu gostei) ou negro (a peça não foi escrita para ser encenada essencialmente por atores negros? como posso não ter gostado desta lealdade ao texto original?).
    Até ‘Orfeu’, o Garrido nunca havia atuado de verdade no cinema, apenas feito uma pequena participação num filme de comédia, dai tiramos sua certa inexpressividade em cena. Ademais, não o culpo totalmente pelo fracasso da adaptação, já que toda a produção se mostrou equivocada. Quis colocar a observação ao fim do post para ressalvar o valor dispensável que este filme possui para mim. Espero que você tenha entendido. Um forte abraço!

    Responder
  1. cinefolia | satãnatório
  2. Listeratura: Carnaval na Literatura | 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer

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