#24 Orfeu da Conceição

Título: Orfeu da Conceição

Autor: Vinicius de Moraes

Primeira Publicação: 1956

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Companhia das Letras (Selo Companhia de Bolso)

“Só não morre no mundo a voz de Orfeu.”

O carioca Vinicius de Moraes, além de ser compositor conhecido da MPB e um dos fundadores da Bossa Nova, foi também um dos mais importantes escritores da nossa literatura, cultivando poesia, crônica e teatro. Sua obra Orfeu da Conceição transporta para o cenário brasileiro o mito de Orfeu, aproximando os negros cariocas das favelas aos heróis das tragédias gregas. A peça acabou quebrando tabus e inaugurando amizades importantíssimas para o cenário cultural do Brasil.

O texto foi encenado dois anos após sua primeira edição em espetáculo musical composto em parceria com o pianista Tom Jobim, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O arquiteto Oscar Niemeyer fez os cenários, os desenhistas Carlos Scliar e Djanira fizeram os cartazes e o Teatro Experimental do Negro do ativista social e então ator Abdias Nascimento forneceu os atores para o elenco. A trilha sonora da peça foi lançada em vinil pela gravadora Odeon, alcançando um sucesso estrondoso. A dupla Vinicius e Tom viria se tornar constante, resultando em marcantes composições, verdadeiros clássicos da música brasileira.

A peça narra em três atos a triste história de Orfeu, um sambista que vive num morro carioca, filho do músico Apolo e da lavadeira Clio. Ao se apaixonar por uma linda mulata chamada Eurídice, o jovem desperta a raiva de Mira, sua ex-amante, que une-se a Aristeu, homem obcecado por Eurídice, contra a paixão do casal, culminando num final trágico aos moldes da tradição grega. Toda a história se passa durante o período de Carnaval, encerrando-se simbolicamente antes da quarta-feira de cinzas.

Encantado com a realidade afro-brasileira dos morros do Rio de Janeiro, o poetinha (assim apelidado por Jobim) teve o mérito de escrever uma peça para ser encenada essencialmente por atores negros, que ainda eram quase sempre colocados em posição subalterna no teatro nacional do inicio dos anos 1950.

A Tragédia Carioca de Vinicius se faz mais atrativa que o próprio conto mítico principalmente por um tempero real diretamente ligado ao fascinante âmbito da arte. A poesia e musicalidade permeiam todo o texto através da bela estruturação de seus diálogos e monólogos, dotados de passagens inesquecíveis. O livro é curto, mas sua leitura deve ser saboreada em cada detalhe.

Obra disponível para leitura integral no site oficial do autor

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Referências Utilizadas:

MORAES, V. Orfeu da Conceição. São Paulo: Editora Companhia das Letras, 2013.
ISBN: 9788535923070

www.viniciusdemoraes.com.br/pt-br/teatro/orfeu-da-conceicao

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Filmoteca: Orfeu Negro (1959). Filme dirigido por Marcel Camus com Breno Mello e Marpessa Dawn.

Entre 1957 e 1958, o diretor francês Marcel Camus filmou Orfeu do Carnaval no Rio de Janeiro, filme que depois recebeu o nome de Orfeu Negro. A produção, narrada em português e composta por atores brasileiros, foi lançada em 1959, não sendo recebida com bons olhos por Vinicius, apesar deste ter abraçado o projeto num primeiro momento, compondo inclusive mais duas canções para sua trilha sonora. O filme ganhou os principais prêmios do Festival de Cannes do mesmo ano, além do prêmio de Melhor Filme Estrangeiro no Oscar e no Globo de Ouro de 1960. É ainda hoje o único filme brasileiro a ter ganho um Oscar, apesar da Academia reconhecer o filme como francês por causa de seu diretor.

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Musicoteca: Orfeu da Conceição (1956).

A trilha sonora da peça, uma colaboração de Vinicius de Moraes, Tom Jobim, Roberto Paiva e Luiz Bonfá, é fantástica. Destaque para a clássica canção Se Todos Fossem Iguais A Você.

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6 Comentários

  1. Amigo Valnikson, entendo agora seu comentário! HAHAHAHAH…
    Começo a acreditar que temos gostos literários parecidos…apesar do seu material aqui ser mais “sério” e profissional comparado ao do Irônica, LoL
    Ótimo post! Eu citei a adaptação de 1999 e assisti…é ruim mesmo…mas sei lá, é bom pra galera ver qual é qual…além do mais, eu prefiro o Toni Garrido mais como cantor mesmo :p
    Abraço! \o

    Responder
    • Amigo Jefferson, temos mesmo gostos bem parecidos! É muito bom saber que o Irônica Literatura também compartilha impressões sobre os livros brasileiros aqui na internet. Acabei de ler seu post a respeito desta obra do Vinicius. Muito massa a ponte com os Cavaleiros do Zodíaco, cara! Ficou demais! Acho seu estilo de escrever único e muito bem humorado. Não mude isso nunca. :)
      Um grande abraço!

      Responder
  2. Li recentemente!

    Responder
  1. cinefolia | satãnatório
  2. Listeratura: Carnaval na Literatura | 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer

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