#21 O Gênio do Crime

Título: O Gênio do Crime

Autor: João Carlos Marinho

Primeira Publicação: 1969

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Obelisco

“A fábrica clandestina é chefiada por um gênio do crime, cérebro fora do comum…”

Todo leitor tem sua história com a leitura. A minha teve início bem cedo. Lembro que já adorava a “hora do livro” ainda no jardim de infância, quando a professora lia alguma história para a turma. Decorava algumas das palavras que ouvia para depois criar outra história, bem diferente da original, a ser contada para todas as pessoas que encontrava em casa. Os quadrinhos do Maurício de Sousa me foram uma excelente introdução. Já um pouco maior, depois de ler toda a coleção de gibis da Turma da Mônica de uma tia e a maioria daqueles livretos com adaptações de contos clássicos na escola, um livro me chamou a atenção dentre vários que estavam empilhados na estante da sala lá de casa. A mesma tia das revistinhas havia ganhado alguns títulos infantis e juvenis de uma amiga bibliotecária. Os livros agora estavam ali, à disposição dos sobrinhos. Curioso, folheei o tal exemplar e comecei a lê-lo.

Foi estranho no começo. Não havia muitas figuras nas páginas e a afinidade com o enredo era difícil, já que este envolvia de certa forma o futebol, esporte que nunca consegui gostar. O Gênio do Crime acabou me prendendo de tal forma que terminei sua leitura em poucos dias. Reli-o umas cinco ou seis vezes. Os personagens se tornaram meus amigos e, com eles, vivi sim intensamente.

No livro, três meninos se aventuram como detetives para descobrir uma fábrica clandestina de figurinhas de futebol, chefiada por um verdadeiro “gênio”, que pensa em todos os detalhes de seu delito. O escritor João Carlos Marinho transpôs para a narrativa a realidade contemporânea ao seu lançamento, quando as figurinhas de futebol eram febre entre os jovens. Logo nas primeiras linhas do romance, já vemos o frenesi vivido pela garotada tentando preencher seus álbuns a fim de ganhar, como prêmio, um jogo de uniformes do time predileto. Só que existem as figurinhas difíceis, fabricadas em menor quantidade. Tais figurinhas, tão desejadas, acabam sendo falsificadas primorosamente e vendidas livremente por cambistas na cidade de São Paulo. O número de álbuns cheios aumenta e Seu Tomé, proprietário da legítima fábrica de figurinhas, a Fábrica Escanteio, se vê sem condições de dar a todos os prêmios prometidos. Temendo falência, ele acaba pedindo ajuda a Edmundo, que inicia as investigações junto com seus amigos Pituca e Bolachão (o Gordo). Na pista do falsário das figurinhas, juntam-se aos três a esperta menina Berenice e o detetive Mister John, vindo diretamente da Escócia.

Influenciado principalmente pelo cenário dos grandes centros urbanos, o escritor paulista, através desta obra de estreia, contribuiu para a introdução de recursos expressivos de forma e conteúdo na literatura destinada aos jovens. A trama possui todos os ingredientes das melhores histórias policiais e de suspense num enredo bem engendrado para o público jovem, sendo repleto de sagazes reviravoltas. O texto é temperado com pitadas de um humor bem feito, numa linguagem direta e acessível ao leitor iniciante.

O título inaugurou uma série de livros protagonizados pela Turma do Gordo. E qual não foi a minha felicidade ao saber que poderia ler mais aventuras com os personagens de que tanto gostava? Logo já estava à procura dos outros volumes em sebos, livrarias e bibliotecas. É aí que noto o poder do destino: aquele livro, o primeiro e inesquecível, acabou me levando ao encontro de muitos outros títulos e autores numa visita ao sebo perto do colégio onde estudava.

Acredito que, mesmo condenados ao crescimento (intelectual e pessoal), os leitores nunca conseguirão abandonar ou esquecer por completo os primeiros livros lidos. O Gênio do Crime me será eternamente especial justamente por ter iniciado minha paixão pela literatura, influenciando de forma marcante o meu futuro. Se hoje me vejo como reflexo dos livros que li, boa parte da minha alma deriva desse título.

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Referências Utilizadas:

MARINHO, J. C. O gênio do crime. São Paulo: Editora Obelisco, 1983.

www.globaleditora.com.br/joaocarlosmarinho

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Filmoteca: O Detetive Bolacha Contra o Gênio do Crime (1973). Filme dirigido por Tito Teijido.

A versão cinematográfica do livro é uma raridade que consegui assistir há pouco tempo. O filme é muito divertido e demonstra-se fiel aos escritos de João Carlos Marinho, com destaque para o elenco mirim que forma a Turma do Gordo e as locações nas ruas de São Paulo. Foi realmente bem legal rever na tela as peripécias do Bolachão no encalce do Gênio por trás da falsificação de figurinhas. A produção me trouxe a felicidade de conhecer uma “imagem real” dos personagens que tanto me acompanharam na infância.

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4 Comentários

  1. Poxa, “O gênio do crime” eu li quando tinha uns 10 anos e foi deve ter sido a minha primeira leitura infanto-juvenil hehe. Lembro disso com muito carinho e fiquei bem feliz de ver um post sobre ele aqui na blogosfera =)

    bjs,
    Carla
    http://linhas–soltas.blogspot.com.br/

    Responder
  2. Citei este livro hoje no meu blog (www.oeuliterario.wordpress.com). Um dos livros marcantes da minha infância. Muito gostoso!

    Responder
  1. Listeratura: Amizades na Ficção | 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer
  2. Listeratura: Casais na Ficção | 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer

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