#20 O Grande Mentecapto

Título: O Grande Mentecapto

Autor: Fernando Sabino

Primeira Publicação: 1979

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Record

“Geraldo Viramundo parecia ter saído do mundo.”

A escrita do mineiro Fernando Sabino se faz única através de um humor inteligente e bem feito. O autor é perito na criação de situações cômicas através de uma descrição cuidadosa e repleta de plasticidade. Seu segundo romance, O Grande Mentecapto, une as influências literárias do escritor à criatividade e estilo ágil das crônicas que marcaram seu nome nas letras brasileiras. O livro na verdade foi iniciado em 1946, quando Sabino tinha vinte e três anos, bem antes da publicação do seu romance de estreia. A narrativa é uma clara homenagem às pessoas mais humildes e puras de coração, assim como o mentecapto (louco, sem juízo) do título, o protagonista Geraldo Boaventura.

Morador de um lugarejo chamado Rio Acima, em Minas Gerais, Boaventura era um garoto sonhador, de família grande e pobre (era caçula de treze irmãos, filho de um português e uma italiana). O menino vivia se indagando a respeito da não parada do trem de ferro em sua cidade.

Em um ato corajoso e ousado, faz o comboio de aço parar em sua terra natal, tornando-se famoso. Pingolinha, um amigo mais novo, tenta imitá-lo e acaba morrendo tragicamente. Traumatizado, o pequeno decide se tornar padre e abandona a cidade. Acaba expulso do seminário e se vê entregue à sorte, iniciando sua andança sem rumo pelas terras mineiras. É então que lhe aparece Marília, filha do governador, por quem o andarilho acaba se apaixonando. Torna-se Geraldo Viramundo e parte à procura de sua amada em uma jornada repleta de peripécias dignas do personagem Dom Quixote, do castelhano Miguel de Cervantes.

Viramundo acaba submetido às maldades do mundo. Dotado de uma enorme ingenuidade e heroísmo exacerbado, acaba marginalizado diante à sociedade, sendo constantemente enganado e oprimido. O personagem, ademais, demonstra-se sempre confiante, não se deixando abalar física ou emocionalmente com nada de ruim que lhe aconteça. Esse fator acaba despertando no leitor um verdadeiro encantamento pela obra.

O enredo, ao mesmo tempo engraçado e dramático, é contado por um narrador de terceira pessoa que se detém a uma linguagem simples e despretensiosa, gostosa mesmo de ler. A temática da loucura é muito bem construída e discutida num quadro bastante interativo.

A crítica de Sabino, muito sutil, se encontra em diversas passagens do livro, mas é na personalidade pura do aventureiro sem posses que o autor bate de frente contra às injustiças e falta de solidariedade dos mais poderosos.

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Referências Utilizadas:

SABINO, F. O grande mentecapto. Rio de Janeiro: Editora Record, 1980.
ISBN: 8501912808

fernandosabino.com.br

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Filmoteca: O Grande Mentecapto (1986). Filme dirigido por Oswaldo Caldeira, com Diogo Vilela, Luiz Fernando Guimarães e Débora Bloch.

A adaptação do livro foi muito bem recebida pelo público e crítica, tendo participado de muitos festivais e ganhado o prêmio de júri popular do Festival de Gramado, o mais importante do Brasil. Num caso raro às versões cinematográficas de romances consagrados, o escritor Fernando Sabino alterou um trecho do livro em função de uma cena no final do filme.

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  1. #73 moro no brasil | 1001 DISCOS BRASILEIROS PARA OUVIR ANTES DE MORRER

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