Extrato Poético: Cacaso

Poética

Alguma palavra,
este cavalo que me vestia como um cetro,
algum vômito tardio modela o verso.

Certa forma se conhece nas infinitas,
a fauna guerreira, a lua fria
encrustada na fria atenção.

Onde era nuvem
sabemos a geometria da alma, a vontade
consumida em pó e devaneio.
E recuamos sempre, petrificados,
com a metafísica
nos dentes: o feto
fixado
entre a náusea e o lençol.

Meu poema me contempla horrorizado.

Cacaso in ‘Lero-lero’ (Editora Cosac Naify)

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2 Comentários

  1. Nossa, adorei o seu blog! Faz falta alguém que dê ênfase à literatura brasileira dessa forma.
    Beijos

    Meu Meio Devaneio

    Resposta

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