#06 Dom Casmurro

Título: Dom Casmurro

Autor: Machado de Assis

Primeira Publicação: 1899

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Scipione

“O meu fim evidente era atar as duas pontas da vida…”

Uma das obras máximas de Machado de Assis, maior mestre da literatura brasileira, é também um dos meus livros preferidos. Dom Casmurro apresenta uma narrativa sensacional, repleta de referências a autores queridos do escritor, como Shakespeare e Goethe, além de trazer alguns dos personagens mais notáveis já criados. O enredo tem como protagonista Bento Santiago (o Bentinho), homem de meia idade e solitário que se propõe contar aos leitores suas memórias. Ademais, o foco de sua biografia demonstra-se voltado ao relacionamento com a vizinha Capitolina (a Capitu), que viria ser o amor de sua vida. A narrativa se desenvolve em dois grandes períodos: a adolescência e a vida adulta.

O personagem-narrador no início do livro explica a alcunha e também título que quis dar aos seus escritos, “Dom Casmurro”, que derivou-se de um poeta de trem que o chamou assim por este ter cochilado durante a recitação de alguns versos. Dom ironiza com o título fidalgo e Casmurro liga-se ao comportamento fechado do protagonista. Nos capítulos seguintes são contados os eventos envolvendo sua mãe D. Glória, que prometeu o filho à condição de padre, o tio Cosme e a prima Justina, que habitam a casa da viúva.

Minhas figuras preferidas são o José Dias, agregado na casa dos Santiago que em muito os bajulava e que vivia usando o grau superlativo em tudo o que falava, e Ezequiel de Sousa Escobar, ou simplesmente Escobar, melhor amigo de Bentinho, que o conhece quando este ingressa ainda jovem no seminário. Porém, a personagem mais forte do romance é mesmo Capitu, que desperta um fascínio extraordinário nos leitores da obra até hoje. Ela, desde criança, demonstra-se mais astuta e confiante, com uma visão mais ampla que a do protagonista, que sempre foi mais recatado e inseguro. Tal insegurança acabou por criar o grande mistério que sempre cercou a obra: o adultério de Capitu. Prefiro pensar que o melhor do texto é justamente a incerteza que ele traz. A meu ver, Machado sabia muito bem o que estava fazendo quando escreveu cada detalhe que, de certo modo, alimenta a dúvida à respeito da figura enigmática de Capitu.

Como todo o texto é narrado em primeira pessoa, a conclusão fica por parte dos leitores, um dos elementos mais interessantes do livro. A obra apresenta elementos narrativos marcantes, como a digressão (suspensão da narrativa para o desenvolvimento de pensamentos paralelos), a metalinguagem e o diálogo irônico com o leitor. Outra característica interessante é a estrutura dos capítulos, que se apresentam ora muito pequenos, com só um parágrafo, ora muito extensos, além da já citada intertextualidade com grandes obras da literatura mundial. As reminiscências de Bentinho acabam servindo de pano de fundo para a construção de perfis psicológicos bastante interessantes e profundas análises de comportamento.

O bruxo Machado de Assis, com sua escrita envolvente, fez de Dom Casmurro um livro fundamental para os amantes da literatura feita no Brasil, uma trama instigante e de leitura inesquecível.

Download gratuito do livro na biblioteca digital Domínio Público

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Referências Utilizadas:

ASSIS, M. Dom Casmurro. São Paulo: Scipione, 2004. (Série Clássicos Scipione)
ISBN: 9788526255098

BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. pp. 174-181.

LAJOLO, M. Literatura comentada: Machado de Assis. São Paulo: Abril, 1980.

www.machadodeassis.org.br

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Filmoteca: Capitu (1968). Filme dirigido por Paulo Cesar Saraceni, com Isabella, Othon Bastos e Raul Cortez. // Capitu (2008). Série dirigida por Luiz Fernando Carvalho, com Maria Fernanda Cândido, Michel Melamed e Pierre Baitelli.

Indico aqui as duas adaptações feitas da obra, uma para o cinema e outra para a televisão. A primeira segue a essência do livro enquanto que a segunda mistura, na narrativa, elementos de época com componentes modernos, construindo uma espécie de ópera rock. As duas produções são realmente muito boas.

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Musicoteca: O Inimitável (1968). Disco de Roberto Carlos.

Indico aos leitores o som do Roberto Carlos para acompanhar as memórias de Bentinho, seus sentimentos e reflexões. As músicas do disco O Inimitável, muito dialogam com a narrativa e personalidade do protagonista da obra escrita por Machado de Assis.

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6 Comentários

  1. Clássico dos clássicos!

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  2. Listeratura: Amizades na Ficção | 1001 Livros Brasileiros Para Ler Antes de Morrer
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