#04 O Cortiço

Título: O Cortiço

Autor: Aluísio Azevedo

Primeira Publicação: 1890

Modalidade: Ficção

Minha Edição: Editora Ática

“Noventa e cinco casinhas comportou a imensa estalagem.”

Aluísio Azevedo, através de sua pena, revelou-se um crítico impiedoso da sociedade brasileira e de suas instituições em meio às transformações político-culturais do século XIX. O mais notável livro escrito pelo carioca retrata a vida de trabalhadores brasileiros e imigrantes em um cortiço no bairro do Botafogo, no subúrbio do Rio de Janeiro. A narrativa de O Cortiço não se centra apenas em um personagem, mas tem como protagonista o português João Romão, que tem como principal objetivo de vida se tornar rico.

Romão, junto de sua amante Bertoleza, escrava fugida, constrói a estalagem com noventa e cinco casas que dá título à obra. Com o tempo, o português vai enriquecendo através de sua obsessão pelo trabalho de comerciante e por intermédio de roubos que pratica em sua venda. As economias da amante também se fazem presentes em sua ascensão (ele a engana com uma falsa carta de alforria). A quitandeira tem o trabalho explorado continuamente pelo amado, que não a dá um dia de folga. O pensamento capitalista e extremamente ambicioso de Romão ainda se faz presente no seu próprio sacrifício, dormindo no balcão de trabalho e se alimentando mal. Acaba por também se tornar proprietário da pedreira que ficava ao fundo do terreno do cortiço. Como gerente da nova fonte de dinheiro, João contrata Jerônimo, trabalhador braçal português que muda-se para a estalagem com a mulher Piedade. O casal convive bem com a vizinhança até o surgimento de Rita Baiana, a atração do romance, mulata sensual que atrai a atenção do honesto e fiel homem.

Em contraponto a João Romão, temos Miranda, outro comerciante português, que se muda para um sobrado ao lado do cortiço. Inicialmente inimigos (por terrenos), os dois acabam por estabelecer uma aliança que afeta todo o futuro do protagonista. Outras figuras que fazem parte do universo do cortiço também tomam destaque na história, como Pombinha, moça jovem afilhada da prostituta Léonie, Estela, a mulher de Miranda, Zulmira, a filha única do casal, entre outros.

O narrador da obra é de terceira pessoa e onisciente, mas sua imparcialidade aos fatos narrados é apenas ilusória na medida em que os procedimentos utilizados para a narração demonstram uma posição de pensamento. Ademais, o autor maranhense tem certa deficiência na construção psicológica dos personagens, tornando-os quase que caricaturas. O coletivo dos personagens, o próprio cortiço, demonstra-se mais rico e vivo que uma figura única.

O livro apresenta um ótimo retrato humano do período oitocentista, com enfoque nos “desvios morais” da época. Aluísio Azevedo nos mostra um protótipo da habitação coletiva que hoje se apresenta em novas formas, mas com a mesma vitalidade e miscigenação típicas do território brasileiro.

Download gratuito do livro na biblioteca digital Domínio Público

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Referências Utilizadas:

AZEVEDO, A. O cortiço. São Paulo: Ática, 1997. (Série Bom Livro).
ISBN: 9788508054213

BOSI, A. História concisa da literatura brasileira. São Paulo: Cultrix, 1994. pp. 187-194.

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Filmoteca: O Cortiço (1978). Filme dirigido por Francisco Ramalho Jr., com Antônio Pompeu, Betty Faria e Armando Bógus.

Indico aos leitores a adaptação feita do livro para o cinema. O filme é um clássico do cinema brasileiro e, apesar de não frisar alguns traços da personalidade de alguns personagens, é bastante interessante.

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Musicoteca: Samba Esquema Novo (1963). Disco de Jorge Ben Jor.

Indico aos leitores o samba de Jorge Ben Jor para acompanhar a leitura do romance de Aluísio Azevedo. O disco de estreia do carioca, Samba Esquema Novo, é um marco da nossa música, repleto de clássicos de tom coloquial que muito refletem a diversidade de um cortiço brasileiro.

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